segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O leque pegajoso da idade adulta e os seus dois soldados (cada qual do seu lado dos meus ombros)


Qual Paulo Portas, qual quê, já fui já vim, e estou de volta mais uma vez, após longos meses de trabalho árduo e delirantemente agressivo, em várias frentes que incluíram obras e renovações, recepções, traduções, explicações, confusões e outros "ões" que me prenderam sem dó à terra e não ao espaço, espaço aque é este mesmo, caminho de divagações e proliferações enigmáticas e muuuuuuuuuuuito saudáveis.

Pois é, ser adulto é isso mesmo, é ter um lado sério demais, agarrado ás responsabilidades como quem se agarra a um leque de opções cheio de uma variedade de colas que nos impedem de libertar as nossas energias da alma, que nos gritam "ficas aqui cada vez mais agarradinho a esta coisa de seres grande e responsabilidades que advém das dívidas que contraíste em troca de uma vida singular e só tua !!! ahahahahahaha (riso estridente e macabro do maldito leque pegajoso da idade adulta)ahahahahahah !!!!!!

Não é que o malvado leque pegajoso é tão cola mas tão cola, que até o anjinho que se senta ao nosso ombro do lado direito está do lado dele. Que raio de anjinho esse que ao invés de me defender, vem praqui pregar sobre o facto de "não te deverias queixar tanto seu ingrato! No meio desta crise toda só tens a agradecer a sorte que tens na vida!!"... uma desgraça mesmo.

É por estas e por outras que muita gente prefere escolher e dar ouvídos ao diabinho, aquele que se senta no nosso lado esquerdo a dizer "não penses muito, não te canses, não te dês ao trabalho, aceita as escolhas que alguém na sic ou na tvi fez por ti, vê novelas, vê a bola, bebe umas cervejas, passa as tuas noites no caféééééééé, é muito bom mesmo, não te vais arrepender !!!!!"

Senhor diabinho, posso andar distraído e afastado e cansadinho, mas ainda sei pensar por mim obrigado ...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Morte Certa – ameaça sem Internet.


10h33 da manhã

Querido Mundo,
Estou sem Internet. E agora? No escritório anda tudo em negação, como se nada se tivesse passado, mas já se sente o ambiente de medo que aqui reside. Tudo começou por volta das 9h30 quando o sistema informático começou a falhar. Por entre os colegas, primeiro veio a dúvida, depois a resignação (visto pensarmos que iria durar pouco tempo), mas, após alguns telefonemas por parte do nosso responsável informático, chegou-se á conclusão que a coisa realmente estava feia, e aí meus amigos, foi o caos, o salve-se quem puder… O patrão lá se dignou a sair do escritório, provavelmente por falta de coisas para fazer, tão impotente quanto nós, e um olhar esguio em relação ao coitado do técnico, que de nada servia naquele momento que se pode considerar de puro terror para ele.
O que vem a seguir é o tradicional “enchimento de chouriços”, ou seja, tudo aquilo que fazemos para nos entretermos uns aos outros, enquanto a “luz” volta. O típico ar de falso descontraído, por parte dos chefes de secção, com as mãozinhas nos bolsos, como quem sabe que tem peso na empresa, mas, quando se acaba o contacto com o exterior, nada sabe, nada diz, nada lhe escorre pela cabecinha fora. Aprecio bastante os vários secretários, com as suas canetinhas que servem para coçar a cabeça, a olhar para o balão, com ar desligado do mundo em torno, bom – vou aproveitar para ir à casa de banho – ou então – olha já que não posso fazer muito vou mas é beber um cafezinho (como quem diz que esta é a oportunidade que nunca tem, devido ao facto de estarem sempre tão atarefados) – olha e já agora vou contigo… e bla bla bla…
Tudo uma cambada de fingidos, digo-vos eu. Qualquer dia ganho coragem e digo-lhes. Encosto-os á parede. Admitam seus tansos! Admitam que, a esta hora, se tudo tivesse a correr normalmente, estariam no HI5 a espreitar as fotos dos contactos novos, ou no YouTube a ver os vídeos dos Gatos Fedorentos, ou no Messenger a conversar com os amiguinhos! Pensam que me enganam com a vossa conversa de chacha! E o boss a mim também não me engana, eu sei que ele joga “Football Manager“ online, e que o técnico de informática está triste porque está a perder mais uma oportunidade de visitar a sua personagem no “Eve Online”. Eu sei disso tudo sua cambada de viciados!
E agora heim? Como é que vai ser isto? Pensam que ninguém se apercebe que um dia de trabalho chega para fazer tudo aquilo que está em atraso, mas que não foi ainda concluído por causa das divagações na rede? Porque é que não aproveitam para pôr as coisinhas em dia, e amanhã já têm mais tempo para brincarem. O que é que acham disto?

Ok.ok. vou-me acalmar… tb faço o mesmo.
Espera… parece-me que…

PESSOAL !!!! (grito eu todo contente) JÁ VOLTOU A INTERNEEEEEEEEEEEEEET!!!!!

terça-feira, dezembro 04, 2007

Realidades Alternativas - Parte XII - Lara Lina

A opinião geral era essa. Lara Lina gostava de garrafas. Todo o género de garrafas, pequenas, grandes, garrafões, desde que fossem de vidro. Nunca ninguém soube o porquê de tanta admiração por um objecto de vidro e de conteúdos uns mais líquidos do que outros. Só sabiam que ela gostava, e isso chegava-lhes. Bastava que a fizesse feliz para que o resto da aldeia o fosse também. Afinal, cada qual com a sua pancada, havia quem gostasse de moedas, selos, blocos, cromos, sacos, latas, folhas de árvore, esferográficas, relógios… Lara Lina gostava de garrafas, do formato das garrafas, do som que podíamos retirar delas se soprássemos no gargalo de um determinado ângulo, a uma determinada força. Era essa a opinião geral. O que não sabiam, era que o que tornava as garrafas tão especiais no mundo da Lina, era que um dia, pareceu-lhe, que uma delas tinha suspirado. Foi algo tão rápido que nem teve tempo de se aperceber bem aquilo que tinha acabado de ouvir. Estava ela tranquilamente a brincar no chão da sua sala, com todo o tipo de brinquedos caseiros, cordéis, rolos de cabelo, uma boneca muito estragada mas de que gostava muito, e aquela garrafa vazia. Lá fora na varanda, a rádio estava ligada no programa favorito do seu pai, enquanto este lia o jornal e fumava o seu cachimbo. O dia prometia um ritmo lento até ao seu final. O suspiro da garrafa deu-se no preciso momento em que Lara pegava na sua boneca e tentava pôr-lhe os rolos no cabelo. Lara sobressaltou, procurando em seu torno a raiz daquele som. Teria sido impressão dela apenas? Se o som lhe proporcionou algumas dúvidas, já a brisa não lhe deixava espaço para manobrar fora dali. Em poucos segundos a sua atenção focou-se na garrafa ali plantada, baça, a olhar para ela. Lara estagnou. Pensou em chamar o pai, mas acabou por não o fazer. Pegou na garrafa e observou-a. Não havia dúvidas. Estava baça e agora húmida. Lara achou que o que aquela garrafa estava a pedir era companhia. Achou que tinha esse direito, e com os anos a sua vida teve sempre a tender para a companhia. A companhia dos amigos, a companhia dos vizinhos, a companhia das pessoas que se sentiam sós. A companhia da companhia, juntamente com o estranho prazer das garrafas, coloridas, vazias ou meio cheias. Qualquer dia haveria de ouvir uma delas. Seria a prova de que ela tinha de facto ouvido uma garrafa a queixar-se.
Um dia aconteceu. Lara Lina cresceu e fez-se bela. Conheceu a companhia de um homem que a quis ouvir falar das suas luas e sois, das suas divagações e desejos. Fez-lhe companhia quando Lara não lhe pediu. Esta sentiu que pedir seria algo que não era mais necessário. O homem olhou para as suas garrafas e os seus sopros uniram-se. Ao sopro das garrafas juntou-se-lhe o do vento e do vidro nasceu o espelho. Do espelho fez-se a luz e da luz o momento. Lara nunca mais procurou a paz dos seus objectos, como quem procura a paz nas repetições. Havia quem gostasse de moedas, selos, blocos, cromos, sacos, latas, folhas de árvore, esferográficas, relógios. Havia quem gostasse das garrafas e havia quem gostasse apenas de gostar. Várias versões da mesma coisa num mundo em que todas as coisas se repetem com poucas semelhanças, mundo esse em que todas as pequenas diferenças fazem d’alguém a razão da sua semelhança.
Um dia, finalmente, repetiu-se a cena. Durante uma ida á cozinha, Lara tropeçou num momento que tinha esperado durante anos e anos. Nesse dia Lara virou-se na direcção do suspiro, quase por reflexo, mas a sua alma não tomou nota disso. Já não precisava.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Peço immensas desculpas por este momento de baixo nível...

... mas é só para dizer que os Além Merd.. Mar têm uma música nova. Chama-se "Deixa-me olhar". Mas afinal, esta gente tem quantas canções?

P.S: Deixa-me olhar,
deixa-me adivinhar,
que aiiiinda vamos gramar com uma versãozinha de natal...

dito isto vou desinfectar o meu teclado.
Sorry teclado.

3001 Odio seia nem terraço


Para quem previu o fim do mundo na passagem para o ano século XXI, já ide atrasados sete anos meus amigos…
Recordo-me da balbúrdia que foi esse final de ano, com a história do bug informático que nunca chegou a acontecer. Recordo-me também que foi o ano em que os videntes tiraram a barriguinha da miséria. Nada disso tem a mínima importância.
Gosto do mês de Dezembro. Acho que anda tudo meio maluco por causa das compras do natal mas não deixa de ser um mês giro. Por essa razão decidi escrever este texto a tender para o lamechas… aqui vai


O Sr. Márius tinha medo de morrer. Estava o 3º milénio no seu final e tudo apontava para o desastre, ou talvez não. As notícias, os jornais, todos os cálculos previam um descalabro no sistema integrado de implante facial, com as falhas de ligação nas bases de Marte e Júpiter. Dizia-se que na Lua, os implantes sobreviveriam, já que a radiação dos satélites contornava esse ponto. Aqui na terra, as mesmas interferências deveriam fazer-se sentir nos sistemas de comunicação e de transporte aéreo, tanto públicos ou particulares, nomeadamente os serviços públicos e agências de transportes. As pessoas andavam assustadas, muitas cirurgias para remover o engenho que tinha ligado o mundo, por vias ilegais se fosse necessário, lá iam eles, desse por onde der. Os funcionários do sector público esses não podiam fazer nada a não ser desligar o sistema a partir da central, e aí ficar sem contacto com a sede, o lar, as dependências financeiras, os acessos gratuitos e os passes urbanos, marginais num mundo marginalizado, limitado a números e indícios de progressividade, cifrões e mais cifrões. A esposa do Sr. Márius andava atarefada á procura de qualquer alimento não sintético, para garantir uma mesa vistosa para a noite de passagem de ano. Problemas ou não, temos que levar as coisas normalmente. Ninguém sabe o que vai acontecer mesmo…
O Sr. Márius olhou para a filha adormecida no sofá. Na parede visual, os desenhos animados tinham-na posto a dormir. Olhou pela janela, a vida estava igual a si mesmo, a escuridão do anel protector parecia prestes a recolher-se, a noite chegava, com o frio tropical, e as pós radiações que estavam mais altas de dia para dia. Era um privilégio ter um apartamento com janela e paredes duplas. Era mais do que muita gente podia pagar. No 145º andar e o posto de trabalho 40 pisos mais abaixo, o comodismo era perfeito.

Sentou-se junto da sua filhota, acabando por adormecer… Sonhou com os filmes de amor que davam na parede, coisas do tempo em que o mar estava acessível, pessoas saiam á rua para dançar a valsa naquela divisão política chamada Áustria, jogos era celebrado na rua, com tochas e luzes, sonhou com o branco do cimo dos montes, com as planícies do continente quente, e dos pés nus a correr atrás da vida e a contar as histórias do século XXI. Sonhou que era grande e veloz, sonhou que era velho e encurvado. Sonhou que sorria, sonhou que era diferente, leve e mais feliz.
Acordou sobressaltado com o barulho da parede visual. Via-se uma família a jantar em torno de uma mesa de madeira, cores e enfeites por toda a sala, pão e carne na mesa, doces e sorrisos. Um sonho.

E pronto. Está feita a minha previsão para o ano 2999.

sexta-feira, novembro 30, 2007

I smell FIASCO...

Tudo isto porque esta semana telefonou-me um amigo meu a dizer que gostaria de me apresentar algo que, segundo ele, não pode ser explicado pelo telefone...
Dava para nos encontrarmos para um cafezinho?
(se soubessem como a palavra "cafezinho" me irrita profundamente)

Dás-me 10 €uros e eu devolvo-te 1 Milhão!!! Garantido!!

Na continuação do post anterior...
Caso tenha sido atraído num esquema destes então tenha muito cuidado. São muitos os formatos utilizados para extorquir dinheiro, mesmo se possuem todos a mesma técnica, sendo o mais conhecido deles, o da famosa pirâmide. Para entrar, uma pessoa começa por pagar uma determinada quantia de dinheiro, ao qual chamam de “investimento”, já que lhe é explicado que irá recuperá-lo na fase seguinte da operação, que consiste em recrutar mais pessoas e vender certos produtos. Logicamente os membros mais recentes da pirâmide ocupam a sua base e os mais antigos o seu topo.
Este esquema não é sustentável porque o lucro da empresa não vem da venda dos produtos em si - isso é apenas uma fachada, mas sim do “investimento” inicial que cada novo elemento faz.

Dito isto, passo a explicar porque razão cerca de 88% das pessoas nunca irá receber nada, no momento em que a pirâmide atingir o colapso.

Vamos supor um esquema muito simples, que lhe garante que, por apenas 10 € de investimento, quando chegar ao primeiro nível da lista seguinte, terá recebido pelo menos 1.000.000 de Euros - nada mau para 10 minutos de trabalho :

1 - Joaquim
2 – Madalena
3 – Paula
4 – Maria
5 – Luís
6 __________

Aqui pede-se que a 6ª pessoa envie 10 € ao Joaquim. A seguir terá de apagar o nome do Joaquim da lista e inserir o seu próprio nome, passando a estar na 5ª posição, deixando a 6ª livre para o próximo participante:

1 – Madalena
2 – Paula
3 – Maria
4 – Luís
5- Bruno(é isso mesmo, sou eu)
6_ ________

Finalmente terá de enviar esta nova lista a 10 pessoas que irão repetir todo o processo.

Se fizermos as contas, o Joaquim exactamente 1.111.100 €uros. Por ser o primeiro da lista, recebeu 100€ do nível 2, 1000€ do nível 3, 10.000 € do nível 4, 100.000 € do nível 5, e 1.000.000 do nível 6. Parece fácil? É fácil para o Joaquim. Mas não para o restante. E vou explicar porquê:

Vou fazer a lista do nº pessoas que contribuíram para o dinheiro do Joaquim:
Joaquim - 0
2 - Madalena - neste momento 10 pessoas estão envolvidas
3 – Paula – neste momento 100 pessoas já estão envolvidas
4 – Maria – neste momento 1.000 pessoas já estão envolvidas
5 – Luís - neste momento 10.000 pessoas já estão envolvidas
6 – Bruno – 100.000 - neste momento 100.000 pessoas já se envolveram neste esquema.

Podemos então dizer que o Joaquim recebeu 1.111.100 €uros oriundos de 100.000 pessoas.

O problema é que cada vez que juntarmos uma pessoa à lista, temos de multiplicar o nº de pessoas por 10. O que quer dizer que quando a Madalena chegar ao nº1, 100.000 pessoas já terão participado. Quando chegar á vez da Paula que se encontrava no segundo lugar da lista, terão participado já 1 Milhão de pessoas ( o dobro da população do Algarve e do Porto juntas).
Quando chegar á vez da Maria, 10 Milhões de pessoas, ou seja Portugal inteiro terá de ter participado no esquema!
O Luís precisará de 100 Milhões de pessoas (ou seja Portugal, a Espanha e a França juntos).
E eu, o vosso Bruninho, terei de esperar que 1.000 Milhões de pessoas enviem 10 euros cada um.
O desgraçado que vier a seguir terá de esperar que a população mundial chegue aos Dez Mil Milhões (10 Billiões, isto não é nada!).

Como podem ver isto é um esquema bastante simples, sem nada para vender, a não ser uma pequena contribuição de 10 €. Espero com isto não vos ter dado ideias, mas a verdade é que a teoria é tão simples quanto isto.

Quando se trata de convencer pessoas a ingressar num esquema piramidal, está provado que 88% de quem ingressa num esquema destes nunca vai receber nada.
Se é números que querem, pensem neles em toda a sua extensão, nos custos, e nas receitas reais. Informem-se muito bem acerca deles, já existe muita informação na Internet que previne contra fraudes e sonhos que nada têm a ver com a realidade.

Agora divirtam-se a gozar com quem pensou no Mercedes novo á custa de produtos de higiene oral,curas para o emagrecimento e chamadas internacionais gratuitas…

Pirâmides só no Egipto


Se por acaso ouvirem estas frases, meus amigos, fujam, fujam a sete pés.

- “Nós conseguimos melhorar a sua vida! Se fizer isto vais ganhar aquilo. Basta investir agora e esperar pelos resultados. É garantido!”

Sempre a mesma história, sempre ideias novas e conceitos rebuscados num mundo em que tudo já foi inventado – números que provam a eficácia e o sucesso dos produtos. Aprendi a nunca confiar em alguém que me apresenta valores como prova de que o produto é mesmo bom, o emprego garante um retorno financeiro avultado, o esquema piramidal não dá hipóteses e não tem nada a ver com todos os outros. Acreditem, ao contrário, os esquemas piramidais em particular têm tudo a ver uns com os outros, e funcionam de igual modo, ou seja, é bom para os pouquíssimos do topo da tabela, garantindo-vos sem qualquer ponta de dúvida, que mais ninguém vai ganhar coisíssima nenhuma, a não ser uma ou outra pasta de dentes, ou então um batido para emagrecer grátis. Gostaria de fazer aqui um apelo a todos as pessoas que se deixam levar na cantiga do “fale com mais seis pessoas e vai ver que não precisa de fazer mais nada”.

Pessoalmente já por duas vezes tentaram enfiar-me o barrete. Uma das vezes, sem vergonha nenhuma o digo, estava eu com a minha mãe, e lá fomos para casa de um familiar que nos introduziu ao fantástico universo dos produtos da Amway. Lá estava uma plateia de pessoas vindas das várias camadas sociais da minha terrinha ao Sul, incluindo ilustres bancários, vereadores e médicos. É preciso dizer que, primeiro, ninguém sabia para o que ia, e segundo, a esse meu primo, o que não lhe faltavam eram conhecidos… Devia ter cerca de 16 anos e aquilo pareceu-me uma coisa maravilhosa, já me vendo com dinheiro até aos olhos, qual Donald Trump, as minhas pastilhas para a sanita eram muito, mas muito melhores, que todo o teu reino imobiliário. Saí de lá com cifrões nos ouvidos e um sorriso doentio na face. Valeu-me a minha mãe que me pôs os pés na terra com um valente e tipicamente algarvio “estaladaço”, que aquilo era tudo tanga, e que nunca dava em nada, e que o cif que ela usava para limpar a casa de banho era muito melhor que aquela porcaria de gel fluorescente que me estavam a tentar vender.

Numa outra ocasião fui contactado por uma pessoa vinda directamente da Dinamarca (What?!) para me fazer uma proposta de bradar aos céus. Como já tinham passados dez anos desde a minha experiência anterior, e sempre sem saber para o que ia (técnica muito utilizada quando não se quer desvendar logo a vigarice), achei que não precisaria da minha mãe. Fiz muito mal. Fiz muito mal porque este sim, era o esquema maravilha, aquilo que eu não sabia mas que tinha esperado este tempo todo. Não me consigo recordar da marca, mas tratava-se de um tipo de telecomunicações com chamadas mais baratas e até gratuitas entre utilizadores. Após me darem cabo da minha frágil cabecinha durante cerca de 2 horas, acabei por dizer que sim, que aceitava, então ficamos á sua espera para uma reunião na próxima semana com a equipe que irá integrar, bla bla bla, e vais ficar rico, e não te esqueças de trazer o chequezinho inicial de 400 Euros, que te vão ser devolvidos assim que a coisa pegar, o que não deve tardar muito, mais dia menos dia… Num pequeno folgo de inteligência, o único que devo ter tido, lá liguei á minha mãe que, por falta de força para me cascar (afina já passaram mais anos e eu cresci), começou a rir-se e a gozar, o que muitas vezes dói mais do que um bom soco nas trombas… Graças a ela nunca cheguei a ir a reunião nenhuma nem a dar o tal chequezinho…
Com o passar dos anos acabei por me informar bastante acerca desses esquemas. Sempre que alguém me vem explicar como vai ficar rico, mesmo que não me queira envolver no assunto, possuo as armas necessárias para, com muita pena minha, desvanecer todos os seus sonhos de menino mimado, terminando o meu discurso com a célebre frase: “vai mas é trabalhar”.

Para não me alongar muito mais, prometo que num próximo post vou demonstrar porque razão os esquemas piramidais, por mais que nos digam que “este é que é”, “não tem nada a ver com o outro”, garanto-vos que são mesmo todos iguais e não levam a lado nenhum.

P.S. Não me digam que não vos avisei.

P.S. Beijinhos à minha mãe.

quinta-feira, novembro 29, 2007

Mundei-me. E tu?


- Mundei-me por aí. É isso mesmo. Dei a volta ao mundo com a tua ajuda. E agora que sou feita de experiência, nada mais me resta que abandonar-te. Tive de ti o que queria.
O rosto convencido de que iria causar algum efeito devastador, entrou limpo e desabou o seu amar numas poucas frases que supostamente seriam a prova das suas convicções menos correctas. O efeito não surgiu, no entanto, tão dramático como o desejava. No rosto do companheiro com quem tinha passado todos aqueles anos, nada mais do que um simples esgar insolente e simplicista, como quem já ouviu este discurso mais do que uma vez, e que nada de muito diferente esperava. E mais ainda; ao rosto insolente e simplicista, notava-se uma certa leveza que dava a entender que um peso enorme tinha saído dos ombros de quem o carregava…


O melhor da vida, sempre gostei de o frisar muitas vezes, são as relações. Todas elas. As relações que temos com a nossa família, os entes queridos e os mais afastados, as relações com as pessoas que amamos, os amigos, todos aqueles que nos tornam a vida fácil e agradável. Mas mais do que isso, o que torna as relações ainda mais fantásticas, é o detalhe específico que faz com que algumas delas não corram tão bem. As que custam a digerir, as guerras interiores, os problemas, as pessoas que não se deixam compreender, aquelas que nos fazem sofrer, aquelas que nos atraem sem sermos atraídos em retorno, as duras, as peganhosas, aquelas que ardem na alma, essas são deveras especiais. Se a isso juntarmos com carinho as relações que consideramos menos importantes, com os vizinhos, os funcionários dos correios, os professores dos nosso amigos dos quais só ouvimos falar, dos colegas de trabalho das empresas concorrentes, daqueles que ficam na fila atrás de nós e que só conseguimos ver nas poucas vezes que olhámos para trás só para ver o quanto a referida fila tinha se alongou enquanto tivemos á espera, se pensarmos em todas as vezes que, de uma maneira ou doutra, nos cruzámos, trocámos umas quantas palavras, um olhar compreensivo, um esgar repreensivo, se passarmos uns míseros segundos a pensar que do outro lado do espelho alguém está em nós da mesma forma que o esqueceremos ao fim de uns poucos segundos, se fizermos isto tudo, então podemos realmente dizer que provámos a verdadeira liberdade. O poder de sermos, por um respirar apenas, parte de outra carapaça, outro castelo de vidro no qual poderíamos espreitar, faz nos sentir o quanto somos afortunados e felizes. Há quem lhe chame cusquice, há quem queira saber como termina aquele momento que tanta importância teria para alguém. Se juntarmos as pessoas que optam pela cusquice de saber o que sentiu na realidade o parceiro pouco infeliz, ás pessoas que viriam terminar a surpresa da jovem interesseira, se juntássemos todas essas pessoas e as puséssemos a comunicar, então garanto-vos que o final desta cena seria o menos importante …

- Adeus
- Adeus

Voltei à minha televisão privativa, a minha janela virada para a Estrada


Das coisas mais aborrecidas neste mundo é ter de fazer pausas nas coisas que mais gostamos. Este blog é uma delas. Voltas e voltas dá a vida, sobrando sempre para os nossos momentos egoístas e veramente impulsivo-necessários. Aqueles que precisamos como do ar que respiramos, mas também aqueles que acabamos sempre por sacrificar.
Tudo bem. Agora que voltei à minha janela privativa, aquela que me deixa momentos de paz e sossego, posso retirar este prazer da minha lista de coisas-que-adoro-fazer-mas-não-consigo. Por isso aqui estou, mais uma vez, a segunda se não me engano, em, que decido alimentar o meu ego e o “Alternatividades”, ou, melhor dizendo, ambos e o mesmo,voltar a escrever de forma mais assídua, disciplinada, e muito mais frequente, qual terapia do amor…

A minha janela para a estrada está de volta. Regressei ao meu local de trabalho preferido, por entre a paz e o barulho, o silêncio e o brilho, a escuridão da alma versus os números e os cálculos. Harmonia diriam alguns, caótico para outros, mas sempre, vivo, único e esclarecedor daquilo que realmente vai na alma das pessoas. Ontem fui tradutor de sonhos e ideias loucas, hoje continuo a transpor de uma língua para a outra, mas desta vez são dívidas, soluções e presentes envenenados… Cada caso é um caso quando devemos algo que não é nosso. São inúmeras as razões que levam as pessoas a tomarem decisões que só fazem sentido para elas próprias. Quantas vezes já deve ter tentado chamar á razão um adolescente apaixonado, sem sucesso. Quantas vezes tentaram convencer alguém a não fazer algo, resultando numa guerra, aquilo que inicialmente era um conselho de amigos?
Quando alguém se recusa a ver aquilo que faz todo o sentido para o resto do mundo, é bem provável que algo irá correr mal a médio/longo prazo.

Quando a bomba acaba por explodir, muitos casos acabam por vir parar à minha secretária. Ontem estive no imobiliário, hoje sou consultor de crédito. É o que dá ser tradutor para uma entidade com várias firmas e formas. Vemos de tudo, sabemos tudo, fazendo a ponte muda e surda, após as revoltas, os segredos e os escândalos. E já agora, nada como ser versátil. O rei dos animais, no cenário dos homens, é o ser camaleão. Quem possuir as características de tal animal dentro da sua alma, consegue ler os silêncios como ninguém, as mudanças de estado, o prazer.

É melhor assim…